Os técnicos andam atarefados pela manhã a ultimar a troca do cenário da cimeira ibero-americana pelo do Tratado de Lisboa. Hipólito Rodrigues observa--os, junto à Torre de Belém, até porque, diz, conhece alguns. "A minha empresa esteve a trabalhar na cerimónia de assinatura do tratado no Mosteiro dos Jerónimos e eu agora vim aqui ver como é que tinham feito tudo nesta cerimónia", conta, garantindo que sabe muito bem para que é que serve o Tratado de Lisboa. "Então serve para organizar as reuniões entre os 27, antes eram 25, agora são 27", diz, prontamente, sublinhando que estar na União Europeia é bom para Portugal e que, se assim não fosse, a situação do país seria certamente muito pior. .Mais à frente, junto ao palanque com o símbolo português do tratado, um grupo de três amigos, um português e dois brasileiros, pedem que lhes tirem uma foto. "O Tratado de Lisboa é sempre bom, nem que seja para divulgar o nosso país", afirma José Oliveira, empresário da construção civil, do Norte, considerando que "a UE deveria obrigar os governos a pagar atenpadamente às empresas pois assim contribuiria para o desenvolvimento". O problema da UE, diz, é que é um gigante muito espartilhado. "Às vezes parece que há muitos líderes a querer mandar ao mesmo tempo e que ninguém se entende", acrescenta, enquanto um dos seus amigos brasileiros recorda, com humor, um dizer popular do seu país: "No Brasil costumamos dizer que há muitos chefes para poucos índios." .Lorenzo Fernandez, espanhol de Madrid, comercial de profissão, confessa que não fazia a mais pequena ideia de que havia um tratado com o nome da capital portuguesa. "Eu vi na televisão, mas não sei se é bom ou mau, só sei que, para a Espanha, é bom estar na UE", afirma, enumerando, como aspectos positivos, o euro e a ausência de fronteiras. Menos receptivos a perguntas sobre tratados estão uma britânica que acaba de sair do autocarro turístico e um casal de holandeses que fotografa o avião estátua de homenagem a Gago Coutinho e Sacadura Cabral. Menos resistente e mais simpático está Kevin Dai, de 43 anos, o guia de uma excursão de chineses que acaba de invadir o palanque da cerimónia para fugir à chuva. "A UE é muito boa, porque nós, por exemplo, só precisamos de um visto para viajar pelos 27 países." Tratado de Lisboa, não sabe o que é, mas como asiático tem uma certeza: "Na China achamos que a UE está a ficar cada vez mais forte e poderosa."